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Setor têxtil e de confecção apresenta déficit de US$ 1,8 bi

O setor têxtil e de confecção brasileiro fechou o mês de outubro com um déficit acumulado de US$ 1,82 bilhão em sua balança comercial, excluindo fibra de algodão. O resultado deve-se ao valor de US$ 2,81 bilhões em importações realizadas entre os meses de janeiro e outubro deste ano contra US$ 987 milhões em exportações.
A cifra já se aproxima ao déficit recorde registrado no acumulado de 2008, de US$ 2 bilhões. "Acredito que vamos fechar o ano com resultado igual ou superior a do ano passado", comentou o presidente do Sinditextil (Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), Rafael Cervone.

Durante os dez primeiros meses de 2009, as importações apresentaram queda de 11,85% em termos de valor e 11,61% em termos de volume, se comparadas ao mesmo período em 2008. Já as exportações tiveram queda de 33,15% em termos de valores e de 28,03% em termos de volume. Os valores não incluem as fibras de algodão.

Somente no mês de outubro a redução nas exportações foi de 15,94%, excluídas as fibras de algodão, comparado a outubro do ano passado. Em contrapartida as importações cresceram 7,37%. O saldo comercial ficou negativo em US$ 231,8 milhões contra US$ 185,2 milhões em outubro de 2008 - uma queda de 20,10%.

Influenciadores

Três fatores foram citados por ele como sendo os principais influenciadores da queda nos resultados: as alterações no câmbio (valorização do real frente ao dólar) que propiciaram o aumento do número de importações - em especial da Ásia -, e a falta de apoio do governo federal ao setor têxtil.

"A desvalorização do dólar facilita a entrada de importados no país e, com isso, diminuem as exportações, já que o real está valorizado. Além do câmbio, a indústria têxtil sofre com as práticas ilegais de mercado como o subfaturamento dos produtos chineses. A diferença é que lá [China] eles têm um governo forte e aqui, há três anos, o governo não se manifesta para proteger o setor", frisou Cervone.

Atualmente o setor têxtil é o segundo que mais emprega no Brasil, somando aproximadamente 1 milhão de trabalhadores diretos e outros oito milhões de trabalhadores indiretos. O Estado de São Paulo é responsável sozinho por 40% do PIB (Produto Interno Bruto) gerado pelo setor. É também o estado que mais paga pelo ICMS, sendo 12%, enquanto estados como Mato Grosso, Ceará e Minas Gerais pagam apenas 1% ou nenhuma tarifa.

"O Brasil perde competitividade diariamente para o mercado internacional devido à carga tributária. Embora os produtos para exportação sejam isentos do ICMS e PIS-Cofins para torná-los mais baratos, ainda sim saem mais caros que os chineses porque os insumos já chegam caros para as confecções", comentou Fábio Beretta Rossi, presidente do Sinditec (Sindicato das Indústrias de Tecelagem de Americana, Santa Bárbara, Sumaré e Nova Odessa).

Quanto ao índice registrado nos últimos dez meses Beretta é otimista e acredita que o setor não chegará ao déficit de US$ 2 bilhões em 2009, mas alerta: "Se o ano fechar com um déficit grande, 2010 será um ano difícil trazendo danos irreparáveis. Muitas empresas não serão capazes de dar o aumento real", profetizou Beretta.

Férias coletivas

A partir do dia 16 de dezembro, algumas indústrias do setor começam a adotar uma antiga medida: as férias coletivas com duração de 20 dias. Segundo Beretta o setor tem passado por "muitos altos e baixos", fazendo cair a produção neste último semestre de 2009. "O número de importações foi maior que esperávamos e o número de pedidos caiu. Muitas empresas da região vão parar devido à queda no ritmo das vendas", disse.

O setor apresentou ligeira melhora ainda no começo do ano, com a valorização do dólar e do reaquecimento da economia brasileira. Os sintomas de uma possível redução na produção começaram a aparecer entre os meses de setembro e outubro, quando houve a alteração no câmbio, estimulando a compra de importados e o cancelamento de pedidos às indústrias.

fonte: Diário de Santa Bárbara