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03/12/2007 - Setor Têxtil Paulista: balanço 2007

Estimando fechar o ano com um faturamento 5% maior que o ano anterior ( US$ 13,1 bilhões) e déficit na balança comercial perto de US$ 232 milhões, o presidente do Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone Netto (foto), anunciou hoje (3 de dezembro), em Coletiva com a Imprensa, que está confiante que em 2008 o Setor deverá reagir como resultado de ações que já foram implementadas e por outras que estão a caminho. "Estamos controlando melhor as importações subfaturadas, acabamos de obter crédito em condições especiais, conquistamos o aumento da TEC, estamos investindo em produtos com maior valor agregado, e temos boas expectativas em relação Plano Estratégico Paulista e acordos comerciais bilaterais"

No entanto, o ano de 2007 já registrou, até outubro, cerca de 10 mil postos de trabalho fechados, principalmente nas confecções. Segundo Cervone, a desvalorização do dólar expôs ao extremo os fatores que tiram a competitividade de setores que empregam mão-de-obra intensiva como o têxtil. "Com o Real mais caro, fica difícil conseguir ser competitivo quando a carga tributária representa 40% do preço do produto final. Soma-se a isso, a concorrência desleal de outros países que têm todos os tipos de benefícios para produzir e exportar, enquanto nós temos que esperar meses a fio para regulamentação de créditos, , não ter nenhum acordo comercial importante, e ainda monitorar continuamente para tentar barrar parte dos produtos asiáticos que entram no País de forma ilegal".

Um exemplo claro dessa realidade é a relação consumo x produção. O consumo no varejo cresceu 11,49% de janeiro a setembro de 2007 se comparado ao mesmo período do ano anterior. E, com a proximidade do final do ano, esse índice deve aumentar ainda mais. Contudo, a produção de tecidos cresceu apenas 7,09% e a de vestuário praticamente não cresceu apresentando 0,65%. Ou seja, os produtos importados estão abastecendo o mercado. "O Setor têxtil brasileiro investe uma média de US$ 1 bilhão por ano para manter seus parques sempre atualizados, com tecnologia de ponta, respeitando as leias ambientais e investindo em profissionais capacitados. Estamos com cerca de 20% das plantas ociosas. Podemos e queremos abastecer o mercado, mas não temos conseguido ser competitivos nem no mercado interno se comparado aos importados" explica Cervone.

Contudo, o Setor paulista apresentou um crescimento em torno de 5% no faturamento para 2007, saltando de US$ 12,5 bilhões em 2006 para US$ 13,1 bilhões. Isto se deve pela estratégia que os empresários estão adotando para fugir da concorrência com os asiáticos. A maior parte das empresas investiu em produtos com maior valor agregado, portanto mais caros, tanto para exportar quanto para o mercado doméstico. "Esta foi mais uma forma que o setor encontrou para minimizar as demissões e compensar no mercado interno das perdas com exportação". De janeiro a outubro/2007, o estado de São Paulo, que detém 25% das exportações nacionais de têxteis e confeccionados, acumulou US$ 466 milhões de faturamento externo (5% mais que no mesmo período em 2006). Já nas importações, o setor paulista amargou US$ 656 milhões até outubro (27% mais que o ano anterior, mesmo período).

Alguns sinais mostram que os esforços que foram feitos este ano começam a dar resultado. Monitorar com laudos técnicos as importações duvidosas, aumentar a Tarifa Externa para Importados (TEC), investir em produtos com maior valor agregado e a inclusão das pequenas e microempresas no diferimento de ICMS, reduzindo de 18% para 12% a alíquota para essas empresas, já que as MPEs representam mais de 80% do setor, garantiram um pequeno aumento no faturamento e a redução da projeção negativa da balança comercial.

Na pauta de importações chinesas de São Paulo, a participação do vestuário caiu de 52% para 44% de janeiro a outubro, evidenciando maior compra de insumos por parte dos fabricantes.

Outra boa notícia é que o Estado está conseguindo reduzir sua participação na importação brasileira total de vestuário. São Paulo, apesar de ainda representar o primeiro no ranking nacional de importadores, diminuiu de 30% para 26,6% em volume e de 34% para 30% em valor.

O preço médio das importações de vestuário subiu 70% em São Paulo, como resultado do convênio estabelecido entre o setor e a Receita Federal desde maio deste ano. Nas estatísticas de laudos técnicos que foram emitidos para a Receita, 35% do total são referentes ao estado paulista. Isso mostra o quanto os produtos estavam subfaturados. Essa adequação de valor iguala-se, agora, aos mesmos preços praticados na Argentina e Estados Unidos, por exemplo.

Na área ambiental, São Paulo conseguiu aprovar junta à CETESB a destinação de parte de resíduos sólidos para uso em termelétricas. Além de resolver um velho assunto de difícil e cara armazenagem, as empresas ainda poderão reutilizar ou vender os resíduos.

Para o próximo ano, os empresários paulistas têm boas expectativas em relação o Plano Estratégico Paulista anunciado pelo governo do Estado. O Plano, que já foi apresentado especialmente para o setor têxtil, trará além de benefícios fiscais, crédito para incentivar a inovação tecnológica.

O setor têxtil brasileiro tem feito estudos e proposições ao governo federal em relação à redução da carga tributária. Já o governo deverá encaminhar ao Congresso uma proposta de reforma tributária que se mostra muito aquém do necessário. Enquanto a polêmica continua, o presidente Rafael Cervone entregou ao governador de São Paulo o pedido de redução de 12% para 7% a alíquota do ICMS paulista às indústrias têxteis e confecções e, de 18% para 12% para o varejo do setor. "Sabemos que redução de alíquota é um paliativo, mas não podemos ficar esperando pelas reformas tributárias do governo federal. Competimos com pelo menos vinte estados com vocação têxtil que estão atraindo empresas e conseguindo vender de forma mais competitiva em função dos incentivos fiscais" explica o presidente do Sinditêxtil-SP.

Considerado um dos mais antigos sindicatos do País, o Sinditêxtil-SP irá comemorar seus 75 anos hoje, 03/12, às 20h, no Teatro Alfa, com concerto especial regido pelo maestro João Carlos Martins para 700 convidados.

O Sindicato também produziu um livro que levou meses de pesquisa e entrevistas com diversas fontes para contar a História da Indústria Têxtil Paulista. Com 219 páginas e dezenas de fotos, o livro comemorativo será entregue para os empresários, autoridades, jornalistas que cobrem o setor e bibliotecas das faculdades de moda e engenharia têxtil.

Ficha Técnica - Setor Têxtil Paulista

Faturamento (estimativa 2007) US$ 13,1 bilhões
Balança comercial (estimativa 2007) US$ 232 milhões de déficit contra US$ 88 milhões de déficit em 2006
Exportações de SP (jan-out 2007) US$ 466 milhões contra US$ 444 milhões no mesmo período 2006

Importações de SP (jan-out 2007)


US$ 656 milhões contra US$ 515 milhões no mesmo período 2006
Empregos (jan-set 2007)
As tecelagens geraram 6,18% mais que mesmo período 2006. Jás as confecções apresentaram crescimento negativo de -2,11%.

 

Demissões (jan-set 2007)

Cerca de 10 mil postos fechados contra 22 mil no mesmo período em 2006
Produção (jant- set 2007) Têxtil cresceu 7,09% e Vestuário praticamente não cresceu permanecendo em 0,65%

Varejo (jan-set 2007)
Crescimento de 11,49%
ICMS Paulista 12% para indústrias. No CE é 3%, PE 7,4% , RJ 2,5%, SC 4,2%, GO 4,5%, etc.

Representatividade de São Paulo no setor têxtil e de confecção

Faturamento Nacional - 38%
Importações totais do Brasil - 26,6%
Exportações totais do Brasil - 24,5%
Número de empresas - 16 mil
Trabalhadores diretos - 500 mil
Escolas e Universidades de moda/têxtil - 42

 
FONTE: Redação