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Indústria paulista terá crescimento de dois dígitos

Após fechar o último ano com queda de 8,6% em relação a 2008, como efeito da crise que se abateu sobre a economia brasileira, a atividade industrial em São Paulo mostrou em janeiro que deverá prosseguir em sua trajetória de recuperação.

Sem ajuste, houve queda de 4,5% em relação a dezembro, normal para o período. Assim, o dado dessazonalizado aponta aumento de 0,4% no Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista, divulgado no dia 25 de fevereiro pela Fiesp e o Ciesp. “É um resultado que não traz surpresa à trajetória que estávamos percorrendo, de recuperação”, resumiu Paulo Francini, diretor-titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) das entidades.

A atividade industrial percorreu uma reta acentuada de crescimento a partir do segundo trimestre de 2009, mas a arrancada não foi suficiente para conter o saldo negativo no fechamento do ano, cujo desempenho ainda ficou abaixo do nível pré-crise em 6%.
“Certamente teremos um crescimento de dois dígitos neste ano, mas é preciso lembrar que parte desse efeito se deve à grande perda ocorrida no final de 2008. Ainda temos um ‘colchão’ a recuperar”, ponderou Francini, que aposta em uma alta de 13% a 14% para o INA em 2010.

A alta de 18% obtida na comparação com janeiro de 2009 é expressiva, mas não surpreende, se considerado o fraco desempenho do período passado, diante da crise financeira. Mas Francini garante que há elementos suficientes para sustentar o forte crescimento esperado para a indústria em 2010. “As bases da demanda estão firmes, com o aumento contínuo da renda, apoiado na alta do emprego e na expansão do crédito. A demanda forte, por sua vez, carrega o emprego, que é um dos pilares do crescimento. É um ciclo virtuoso”, argumentou o diretor de economia da Fiesp/Ciesp.

O bom cenário que se projeta para a indústria, segundo Francini, já é a própria garantia de que o setor se prepara para acompanhar o PIB de 6% aguardado para este ano, sem que haja pressão inflacionária. Um número importante comprova essa capacidade: o desembolso do BNDES Finame, carteira para financiamento de máquinas e equipamentos, atingiu R$ 7,1 bilhões nos últimos três meses de 2009, superior à média de 2008 (período pré-crise) em 28,2%.

“A moçada foi às compras. A indústria está enxergando o crescimento à frente e corre para se reequipar, aumentar e modernizar o processo produtivo, e isso é sadio”, analisou Paulo Francini. “Há condições satisfatórias de atender à demanda futura sem criar pressões inflacionárias, e por isso somos frontalmente contrários ao aumento dos juros neste momento”, defendeu o diretor, referindo-se à taxa Selic.

Na avaliação de Francini, a decisão anunciada ontem pelo Banco Central, de restabelecer os depósitos compulsórios – recolhidos obrigatoriamente pelos bancos – tem a intenção de amortecer o ritmo de crescimento, e acarretará em aumento do custo do crédito para os consumidores.

A liberação dos recursos para reforçar a liquidez foi uma das principais medidas adotadas pelo governo para combater a crise, no final de 2008. Foram desbloqueados R$ 99,8 bilhões na economia, dos quais R$ 71 bilhões deverão voltar aos cofres do BC até abril. “Essa questão toca num ponto sensível, que sempre fomos críticos: o custo do crédito. Ficamos nos perguntando até quando será necessário manter essas medidas, mas é uma decisão de cada país”, afirmou Francini. “Espero que o restabelecimento dos compulsórios elimine a alternativa de elevação da Selic. Se já éramos contra, agora somos duplamente contra o seu aumento”, emendou o diretor da Fiesp/Ciesp.

O levantamento de conjuntura também revelou um comportamento negativo em todas as suas variáveis no mês de janeiro, normal para o mês. O pior índice foi o total de vendas reais, com queda de 21,2% em relação a dezembro do ano passado.

Fonte: Fiesp/Ciesp