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Fábricas fecham as portas em SP

Enquanto o consumo interno de produtos têxteis no Brasil cresce aceleradamente, processo inverso acontece com a indústria. Nos últimos dois meses, apenas no estado de São Paulo, cinco empresas fecharam, todas tradicionais no mercado, algumas delas com mais de anos de atividade.

Dois lanifícios (Lanifício Brooklin e Lanifício Santo Amaro, que havia sido arrendado pela Capricórnio Têxtil) e três tinturarias (Trafil, Santa Helena e Paulistana) encerraram. A ABIT afirma que cerca de 600 empregos foram perdidos.

"O mais surpreendente é que nesta época o setor geralmente está muito aquecido", afirma o presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de São Paulo, (Sinditêxtil-SP), Alfredo Emílio Bonduki. Segundo ele, as indústrias não estão aguentando a competição com o aumento das importações, principalmente no setor de acabamentos.

"O Brasil tem regras ambientais muito rígidas e as leis estaduais de São Paulo são ainda mais severas", aponta Bonduki."Aqui a fiscalização é eficiente, as leis são mesmo cumpridas".

Enquanto s China descarta os resíduos da indústria sem nenhum cuidado com o meio ambiente, no Brasil a água precisa ser tratada antes de voltar à natureza. "Não é realmente uma concorrência isonômica", afirma que reclama das altas tarifas cobradas pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) na coleta dos afluentes. No momento, Bonduki diz que as negociações com a Sabesp estão evoluindo e os valores cobrados devem diminuir nos próximos anos.

O Sinditêxtil-SP também trabalha para que a Receita Federal aumente a fiscalização dos tecidos e produtos acabados de confecções que entram no país. "Quando exportamos temos que provar que estamos de acordo com as regras de sustentabilidade, mas quando os produtos entram no país ninguém fiscaliza. Menos de 5% dos produtos são averiguados e por isto acabam acontecendo episódios como os dos lençóis contaminados que chegaram ao nordeste".

Fonte: Brasil Econômico