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08/02/2006 - Projeto de Reforma
Cambial será apresentado hoje
no Senado
O presidente do Senado, Renan Calheiros
(PMDB-AL), e o líder do governo
no Congresso, Fernando Bezerra (PTB-RN)
apresentarão, no dia 8 de fevereiro,
em cerimônia no Senado, um projeto
para reforma da legislação
cambial brasileira. Estará
presente ao evento Paulo Skaf, presidente
da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp),
entidade que elaborou, em parceria
com a Funcex, a base da proposta utilizada
no projeto dos senadores.
Em novembro, durante o Enaex (Encontro
Nacional de Comércio Exterior),
que aconteceu no Rio de Janeiro, Skaf
entregou as sugestões ao senador
Calheiros, a outros parlamentares,
a ministros e ao presidente do Banco
Central (BC). Desde então,
especialistas da Fiesp têm prestado
assessoria à equipe técnica
dos dois senadores.
Com o objetivo modernizar o arcabouço
legal que rege o sistema de câmbio
no País, que tem origem na
Era Vargas (1930), Fiesp e Funcex
sugeriram mudanças que removem
o entulho jurídico e reduzem
a burocracia das operações
cambiais.
Pela proposta, reduz-se o nível
legislativo do câmbio no Brasil,
transferindo todas as decisões
para leis ordinárias e/ou decisões
do Conselho Monetário Nacional.
O CMN também deveria assumir
toda a responsabilidade no controle
do fluxo de divisas, sendo mais ou
menos rigoroso neste trabalho.
A Fiesp e a Funcex sugeriram ainda,
em sua proposta de projeto, a possibilidade
de agentes de comércio exterior
manterem contas em moeda estrangeira
no Brasil. Hoje isso é permitido,
mas a diferença é que,
com as mudanças, haveria condições
de admitir, via decisão do
CMN/BC, sua utilização
ampla como reserva de valor ou no
cumprimento de obrigações
em moeda estrangeira.
Com a reforma da cobertura cambial
obrigatória, a qual exige a
venda, no prazo máximo de 210
dias, dos dólares provenientes
de uma exportação, o
exportador ficaria livre para escolher
a melhor cotação para
conversão da moeda estrangeira.
Além disso, poderia utilizar
o dólar decorrente de uma exportação
ou de um financiamento externo para,
por exemplo, realizar o pagamento
de outras transações
internacionais (importação,
frete marítimo, juros externos,
dividendos, por exemplo).
"Com uma conta em moeda estrangeira,
o empresário ficaria menos
refém da oscilação
do câmbio e ganharia cerca de
4% de suas receitas cambiais - valor
resultante das perdas nas transações
cambiais realizadas no País,
oneradas pelo spread entre a taxa
de compra e venda, pela dupla incidência
de CPMF e de IOF, e pelo custo burocrático",
destacou Skaf.
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