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09/02/2006 - Sinditêxtil-SP comenta negociações internacionais

O presidente do Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone, comenta a assinatura do Acordo de Restrições Voluntárias de Têxteis chineses para o Brasil e, também, a proposta de Salvaguardas entre produtos brasileiros e argentinos.

Brasil x China

O Sinditêxtil-SP considerou favorável o Acordo de Restrições Voluntárias de Têxteis Chineses para o Brasil, que o governo brasileiro fechou com as autoridades da China, hoje, em Pequim. O Acordo atendeu as principais reivindicações do setor e irá abranger 70 produtos.

O Acordo deverá ser assinado nos próximos 30 dias, entre os ministros de comércio exterior dos dois países, e irá vigorar até 2008. "Foi, sem dúvida, uma conquista do setor e do Brasil. Nós não conseguimos cem por cento do que gostaríamos, mas o essencial foi atendido. Além disso, o Acordo deixa abertura para usarmos o instrumento de salvaguardas para os demais produtos têxteis que não entraram no texto, se houver necessidade. A atuação da nossa equipe técnica liderada por Domingos Mosca foi competente e decisiva" declara Rafael Cervone, presidente do Sinditêxtil-SP.

As oito categorias que entraram no Acordo são: tecidos de seda, filamento de poliéster texturizado, tecidos sintéticos, veludo, camisas de malha, suéteres, jaquetas e bordados. O Sinditêxtil-SP representa todas as empresas paulistas que produzem as quatro primeiras categorias citadas. "Precisamos que o governo acelere as mudanças na política de juros, de câmbio, invista em logística e desonere a produção com tantos tributos, até 2008, pois estes gargalos tiram a competitividade da nossa indústria e favorece os nossos concorrentes" completa Cervone.

Brasil x Argentina

O Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo - Sinditêxtil -SP, considerou um retrocesso e um flagrante desrespeito ao tratado de Assunção a assinatura, da proposta de salvaguardas entre o Brasil e a Argentina que criou o Mecanismo de Adaptação Competitiva - MAC-, que visa impedir "invasões" de produtos do Brasil na Argentina e vice-versa, estabelecendo cotas com prazo de três anos. O acordo foi firmado em 01 de fevereiro e deve entrar em vigor nos próximos dias.

"O Mercosul deveria ser uma área de livre comércio e qualquer mecanismo que imponha barreiras comerciais é negativo criando um forte obstáculo na consolidação do tratado " comenta Rafael Cervone Neto, presidente do Sinditêxtil-SP. Vale lembrar que há três anos a indústria têxtil brasileira já se enquadra num programa de restrição com a Argentina, pois pelo terceiro ano consecutivo cumpre cotas de vendas de denin. Neste ano, o limite de exportação é de 18 milhões de metros lineares. Em 2005, a cota foi de 16 milhões e, no ano anterior, 15 milhões. Ainda segundo o presidente do Sinditêxtil-SP, o setor teme que as restrições a produtos brasileiros se revertam em vantagens para produtores de outros países.

" Não conseguimos entender a política externa brasileira que privilegia fortes concorrentes nossos, em vez de fazer uma política com negociações bilaterais com países que são nossos clientes. Estamos cada vez mais isolados do mundo " comenta Cervone.

 
FONTE: Redação