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09/06/2005 - Sindicatos também
querem salvaguardas contra China
Os sindicatos estão se unindo
aos empresários para pressionar
o governo pela regulamentação
de salvaguardas específicas
contra a China. A iniciativa está
sendo capitaneada pela Força
Sindical e por sindicatos patronais
ligados à Federação
das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp).
"Resolvemos unir forças
para demonstrar às autoridades
que a salvaguarda é necessária,
porque ninguém tem condições
de concorrer com a China", afirma
Eunice Cabral, presidente do Sindicato
das Costureiras e Trabalhadores da
Indústria do Vestuário
de São Paulo e Osasco.
Empresários e trabalhadores
também planejam iniciar uma
campanha para mostrar ao consumidor
brasileiro que a compra de produtos
chineses pode provocar desemprego
no Brasil.
A parceria entre o setor privado e
os sindicalistas foi selada durante
uma reunião na Força
Sindical na última sexta-feira.
Um novo encontro na próxima
semana decidirá qual será
a estratégia adotada para convencer
o governo federal a regulamentar as
salvaguardas.
Participaram do encontro de sexta-feira
os setores mais sensíveis às
importações chinesas:
têxtil, calçados e brinquedos.
Esses setores são intensivos
em mão-de-obra. Segundo estudo
elaborado pela Fiesp, as importações
brasileiras de produtos industriais
chineses aumentaram 82,8% em 2004.
O setor de brinquedos já aplica
uma salvaguarda de 9% para os produtos
importados de todos os países.
Ao entrar na Organização
Mundial de Comércio (OMC),
a China aceitou que os demais países-membros
aplicassem uma salvaguarda específica
contra seus produtos. Para isso, os
países precisam regulamentar
esse mecanismo de defesa comercial
em sua legislação interna.
A Fiesp vem pressionando o governo
pela regulamentação
das salvaguardas, mas até agora
não foi atendida. O Ministério
do Desenvolvimento optou por monitorar
os fluxos de comércio e informou
que ainda não encontrou nenhum
problema. Uma fonte do setor privado
paulista acredita que o governo Lula
será mais sensível se
os sindicatos também estiverem
pedindo a adoção das
salvaguardas.
Segundo fontes do setor privado, o
governo reluta em regulamentar o mecanismo,
porque isso poderia ser um sinal negativo
para a China, considerada uma parceira
comercial estratégica. Politicamente,
essa questão também
está relacionada ao reconhecimento
da China como economia de mercado
feita pelo governo brasileiro no ano
passado. O presidente Lula prometeu,
mas o novo status também não
foi regulamentado internamente. O
reconhecimento da China como economia
de mercado irritou o empresariado.
Segundo Rafael Cervone, presidente
do Sinditêxtil - SP, os empresários
estão pressionando o governo
para voltar atrás nessa decisão
e para regulamentar as salvaguardas
contra a China. "A salvaguarda
permitirá uma certa isonomia.
Os chineses conseguem empréstimos
mais baratos, possuem uma taxa de
câmbio artificialmente desvalorizado
e muitos de seus produtos são
contrabandeados para entrar no Brasil",
diz.
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