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09/12/2005 - Micro e pequenos
negócios paulistas devem fechar
2005 em alta
As micro e pequenas empresas paulistas
vão encerrar 2005 com ganhos
reais de faturamento e expansão
do nível do pessoal ocupado.
A exceção fica por conta
dos empreendimentos do setor industrial
que, pelo sexto mês consecutivo,
apresentaram queda na receita real.
Estes são os principais destaques
dos Indicadores Sebrae-SP - Pesquisa
de Conjuntura, levantamento mensal
realizado com a colaboração
da Fundação Seade junto
a 2,7 mil micro e pequenas empresas
paulistas, da indústria da
transformação, comércio
e serviços, e que mede os níveis
de faturamento real, pessoal ocupado
e gastos com salários.
A perspectiva positiva quanto ao
desempenho geral das micro e pequenas
empresas face a 2004 está baseada
nos resultados obtidos, em média,
pelas micro e pequenas empresas no
período de janeiro-outubro
de 2005: +2,8% de faturamento, +3,7%
de pessoal ocupado e +5,3% de gastos
com salários.
O desempenho também foi positivo
nas comparações de outubro/05
com setembro/05 (+4,1% no faturamento,
+0,4% pessoal ocupado e +0,8% gastos
com salários) e em 12 meses
(+3,7%, +3,5% e +8,3%, respectivamente).
Isso significa dizer que o caixa
das micro e pequenas empresas paulistas
fechou em outubro com R$ 837 milhões
a mais em relação a
setembro e que foram criadas 21 mil
novas vagas. Na comparação
de 12 meses (outubro/05 x outubro/04),
quase 200 mil pessoas foram incorporadas
ao mercado de trabalho por meio do
segmento e a receita engordou R$ 747
milhões.
De acordo com o economista Pedro
João Gonçalves, da Assessoria
de Pesquisas Econômicas do Sebrae
em São Paulo, apesar do fraco
resultado da indústria, o faturamento
real das micro e pequenas empresas
teve a maior taxa de expansão
de 12 meses, para um mês de
outubro, desde o início da
série, em 1998. Quanto ao pessoal
ocupado, foi o maior crescimento desde
outubro de 2000, na comparação
de 12 meses.
A Assessoria de Pesquisas Econômicas
do Sebrae em São Paulo atribui
esses resultados à recuperação
do consumo interno em 2005: como 89%
das micro e pequenas empresas paulistas
estão nos segmentos de comércio
e serviços, a melhora da ocupação
e renda na economia, junto com a maior
oferta de crédito ao consumidor
contribuíram significativamente
para esse resultado.
Setorialmente, o comércio
recuperou fôlego e o Dia das
Crianças ajudou os empresários
do setor a elevar o faturamento de
outubro/05 (em relação
a setembro/05) em 7,6%. No acumulado
de 12 meses a alta foi de 4,2%. A
expansão do nível de
pessoal ocupado foi de quase 9% na
comparação outubro/05
com outubro/04.
Os serviços continuam no ritmo
de recuperação e fecharam
o faturamento de outubro com alta
de 4,4% (em relação
a setembro) e 11% em 12 meses. O desempenho
dos setores de comércio e serviços
reflete a melhoria da massa de rendimentos
reais que, segundo estimativas a partir
de dados do IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística)
subiu 3,9% comparando outubro/05 a
outubro/04.
A trajetória da indústria
avança em sinal contrário.
Nos últimos cinco meses o segmento
apresentou queda do faturamento e
no mês em que a indústria
tradicionalmente abastece o comércio
para o Natal não foi diferente.
Em outubro as micro e pequenas empresas
industriais registraram retração
de 3,9% em relação ao
mês anterior e -5,9% no acumulado
de 12 meses. O nível de pessoal
ocupado acompanhou a variação
negativa e fechou em - 2,9% em 12
meses e - 1,1% na comparação
com setembro.
'Os resultados apresentados pelas
micro e pequenas indústrias
são um claro reflexo do impacto
dos juros elevados. Enquanto isso,
comércio e serviços
ainda se beneficiam do aumento da
ocupação e da renda
dos trabalhadores e da maior oferta
de crédito ao consumidor',
analisa Gonçalves.
Ele explica ainda que, apesar, das
quedas sucessivas da taxa Selic nos
últimos três meses, dificilmente
as micro e pequenas indústrias
conseguirão reverter o quadro
negativo até o fim do ano.
'Elas devem fechar 2005 com desempenho
inferior a 2004'.
As micro e pequenas empresas do interior
paulista registram o melhor desempenho
em termos de faturamento: em 12 meses,
com variação positiva
de 13,3%, da mesma forma que em outubro/05
com relação ao mês
anterior, com alta de 9,8%. A pesquisa
mapeia os indicadores de faturamento,
pessoal ocupado e massa salarial em
quatro regiões: capital, região
metropolitana, ABC e interior.
No município de São
Paulo, o crescimento da receita real
do segmento foi de 1,8% em outubro
e de 5,5 % em 12 meses. No ABC e na
região metropolitana as micro
e pequenas empresas apresentaram quedas
de 7,3% e 0,6%, respectivamente, contra
o mês de setembro. Com relação
ao pessoal ocupado, na comparação
com de outubro com setembro, o nível
permaneceu estável em todas
as regiões, com exceção
da capital, com alta de 0,8%.
Apesar dos resultados positivos,
o sinal amarelo continua piscando
na avaliação do diretor-superintendente
do Sebrae em São Paulo, José
Luiz Ricca. Para ele, os fatores que
promoveram o crescimento em 2005 dão
claros sinais de esgotamento. Além
do resultado fraco do PIB (Produto
Interno Bruto) no terceiro trimestre
do ano, o IBGE também detectou
estabilidade no nível de ocupação
e queda do rendimento do trabalhador
e a valorização do real
pode afetar as exportações,
ou pelo menos dificultar seu crescimento.
'Precisamos que o ritmo da redução
dos juros continue nos próximos
meses para que o primeiro semestre
de 2006 seja positivo para as micro
e pequenas empresas. Também
devemos ficar atentos ao comportamento
da inflação', alerta
Ricca.
Segundo ele, o desempenho relativamente
bom da média das micro e pequenas
empresas em 2005, com alta de 2,8%
na receita real, no acumulado de janeiro
a outubro de 2005 contra o mesmo período
de 2004, proporcionou quase 200 mil
ocupações a mais na
economia. 'Para que as pequenas empresas
continuem gerando as ocupações
que a economia necessita, é
necessário que em 2006 elas
tenham um ambiente propício
à realização
dos seus negócios. Por isso
precisamos aprovar a Lei Geral ainda
este ano', completa Ricca.
O Estado de São Paulo abriga
1,3 milhão de micro e pequenas
empresas (99% do total de empresas
no Estado) que geram 67% das ocupações
no setor privado e 20% do PIB.
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