| 11/07/2005
- Setor Têxtil paulista quer barreiras
não-alfandegárias contra
a China
Empresários
e sindicalistas da indústria
têxtil querem a edição
de decreto do governo federal fazendo
uso das salvaguardas previstas no
Protocolo de Acesso da China à
OMC. Eles cobram também a implementação
de barreiras não-alfandegárias,
fiscalizadas por agentes do Inmetro,
como alternativa de fácil implantação
no curto prazo para combater a concorrência
de produtos chineses.
Os representantes do setor expuseram
as dificuldades enfrentadas com a
concorrência dos produtos asiáticos
no encontro promovido no dia 7 de
julho, pelos deputados Vanderlei Macris
(PSDB), Antônio Mentor (PT)
e José Dílson (PDT),
coordenadores da Frente Parlamentar
em Defesa do Setor Produtivo Paulista.
As reclamações incluem
denúncias de expedientes adotados
por produtores chineses, como descaminho
(ingresso no país de mercadoria
lícita sem pagamento de impostos),
subfaturamento, falsificação,
pirataria e a prática de preços
muito baixos. Foram feitas, também,
sugestões de fomento às
indústrias nacionais.
Há poucos dias, a Receita
Federal interceptou um lote de 66
mil uniformes militares que seria
vendido ao Exército Brasileiro.
As fardas traziam a etiqueta Made
in Brazil, mas o contêiner vinha
da China, denunciou Rafael Cervone
Netto, presidente do Sinditêxtil-SP.
O empresário afirmou, ainda,
que é prática comum
a expedição de notas
fiscais com valor muito inferior ao
da mercadoria correspondente. Mencionou
o exemplo da recente apreensão
de um lote de saias de fibra sintética
com valor declarado de US$ 2,30 por
quilo, sendo que o valor praticado
internacionalmente é de US$
29,50. Por um balanço
do governo Chinês, eles exportam
anualmente ao Brasil 29 mil toneladas
de têxteis, mas a contabilidade
nacional registra somente 9 mil toneladas,
complementou Cervone.
Mesmo que as mercadorias chinesas
não burlassem o fisco ao entrar
no país, seu preço continuaria
deixando a produção
nacional de vestuário em situação
difícil. Essa foi a argumentação
do vice-presidente da Fiesp, Elias
Miguel Haddad, que acredita ser inviável
a alíquota de ICMS aplicada
ao às indústrias instaladas
no estado. O Rio de Janeiro
aplica alíquota de 2,5%. Mato
Grosso, Minas Gerais e Paraná
dão uma série de facilidades
ao setor produtivo. A política
fiscal adotada em São Paulo
induz à sonegação.
A informalidade afugenta os investimentos
dos industriais paulistas para outros
estados e países, principalmente
os da América Central,
afirmou.
Haddad calcula que uma boa alíquota
de ICMS seria em torno de 6%. Esse
percentual faria com que a informalidade
trouxesse mais inconvenientes do que
benefícios. Com menos sonegadores,
o estado também arrecadaria
mais. O empresário defendeu
também um programa estadual
equivalente ao Refis (plano de recuperação
fiscal adotado pelo governo federal).
O programa teria de ter multas
baixas, juros baixos e prazos dilatados,
de forma a possibilitar a quitação
das empresas inscritas na dívida
ativa estadual.
Oswaldo Oliveira Filho, coordenador
do Grupo de Negociações
Internacionais do Sinditêxtil
afirmou que, na década de 90,
o país deu um salto para a
conquista do mercado mundial, principalmente
por sua auto-suficiência em
fibras sintéticas como poliamida,
poliéster e fios elásticos.
Depois do ingresso da Índia
na Organização Mundial
do Comércio, esse país,
bem como o Paquistão, o Vietnã,
a Turquia e a China passaram a ser
considerados fornecedores mundiais
de vestuário. O Brasil tem
de garantir seu espaço no mercado,
com políticas fiscais que impulsionem
o setor, terceiro maior gerador de
empregos do país, depois da
agricultura e da construção
civil.
Como encaminhamentos, a Frente Parlamentar
indicou a formação de
uma comitiva para ir a Brasília
encaminhar o assunto aos ministérios
da Fazenda, da Justiça, do
Desenvolvimento Econômico e
das Relações Exteriores.
A pauta inclui combate à falsificação,
à pirataria e ao contrabando,
defesa dos produtos brasileiros na
competição com os asiáticos
e aprovação de projeto
que beneficia micros e pequenas empresas.
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