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12/03/2009 - Sinditêxtil-SP e ABRH realizam fórum sobre crise econômica e relações trabalhistas

Da esquerda para a direita, Guilherme Afif Domingos (secretário do emprego e relações do trabalho), Gumae Carvalho (mediador do debate), Rafael Cervone Netto (Sinditêxtil-SP) e Carlos Pessoa dos Santos (ABRH).

Em parceria com o Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) promoveu, no dia 10 de março, o fórum ‘Crise Econômica & Relações Trabalhistas’, que discutiu alternativas viáveis para evitar que as demissões sejam a única ou a principal alternativa das empresas para suavizar os efeitos da desaceleração da economia mundial.

O fórum reuniu sindicalistas, profissionais de relações trabalhistas, empresários, governo e economistas, em cinco rodadas de debates. “A crise não afetou todos os segmentos da economia e o seu tratamento não deve ser uniforme. Um remédio para cada sintoma: esta é a lógica do evento. Por isso, ouvimos representantes dos vários lados”, observou o vice-presidente de Relações Trabalhistas e Sindicais da ABRH, Carlos Pessoa dos Santos.

“Cabe aos profissionais da área de gestão de pessoas um papel destacado na construção e implementação de soluções que, ao mesmo tempo em que ajudem a superar os obstáculos atuais, busquem preservar princípios e conquistas alcançados ao longo do tempo. Há que se reconhecer que a menor geração de riqueza traz impactos severos sobre a atividade econômica e conseqüências sociais, especialmente no que se refere à geração e preservação de empregos. Minimizar tais impactos é dever de todos”, ponderou Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da ABRH-Nacional, em nota entregue durante a reunião.

Em 2007, apesar de todas as dificuldades, inclusive a do câmbio, o setor têxtil fechou o ano com geração de mais de 44 mil empregos. No ano passado, foram gerados 22 mil, metade do esperado. Enquanto em janeiro de 2008 foram abertos quase 3.600 postos de trabalho, no mesmo mês de 2009 foram demitidas 4.360 pessoas.

“Temos que reverter esse quadro negativo, incentivando o emprego e a renda no Brasil”, comentou Rafael Cervone Netto, presidente do Sinditêxtil-SP. Cervone contou que foi realizada, recentemente, uma pesquisa com alguns empresários do setor para saber quais as estratégias que os industriais estão tomando para superar a crise. A resposta foi quase que unânime: investimento em inovação. “O Sinditêxtil está com uma parceria junto ao IPT, além de convênios com grandes universidades têxteis mundiais, visando à troca de experiências. Para se ter uma idéia, a eletrônica está fortemente presente junto à nossa indústria. Em 10 anos as pessoas comprarão roupas por o que elas fazem por nós, não mais apenas pelo design”, disse.

Para o presidente do Sindicato, a competitividade do setor passa por uma redução tributária. Geraldo Alckimin, enquanto governador de SP, diminuiu o ICMS que incide sobre a cadeia têxtil de 18% para 12%, ação que, após quatro anos, gerou 12,6% a mais de arrecadação para o Estado. “Existe uma clara necessidade em fazermos a mesma coisa em escala Federal”, comentou.

Cervone também contou que o Sindicato está debatendo pela primeira vez com o Governo Federal um plano para 2023, com políticas públicas e privadas para o setor. O objetivo é a diminuição dos encargos da folha de pagamento, de energia elétrica, retirar o teto do Simples, estender o prazo de recolhimento de impostos, acabar com a dificuldade na aquisição de crédito, entre outros, tudo como forma de sustentar a indústria e o emprego. Sobre a crise, Cervone tem uma visão ligeiramente otimista. “Crescimento econômico baixo não é nenhuma novidade para o Brasil. Pode ser novidade para muitos países desenvolvidos, mas não para nós. A versatilidade do trabalhador e das empresas brasileiras é muito grande, isso pode ser uma diferenciação para que o nosso mercado supere a crise. Nós temos tudo na mão para podermos estimular um setor tão vital para a sociedade brasileira, que tem o maior poder de reação dentro da indústria. A cada dez milhões de reais a mais no faturamento do setor é gerado dois mil postos de trabalho”, finalizou.

Guilherme Afif Domingos, secretário do emprego e relações do trabalho, também comentou o desempenho do Brasil frente à crise. “Nós estamos vivendo uma crise muito pesada, a primeira grande crise após a globalização, que foi um movimento mundial irreversível. Esta globalização chegou com uma tremenda rapidez, com o pé no acelerador. Agora, na primeira curva, todo mundo foi para o paredão, porque as pessoas só sabiam acelerar, não sabiam brecar com cautela. Restou um grande acidente na pista, mas nós não éramos os carros que estavam no pelotão da frente, mas sim no pelotão de trás e agora estamos nos desviando dos escombros, sem muita noção do que está acontecendo. Temos uma grande oportunidade de nos sairmos bem da crise, devido ao nosso histórico. Nós não soubemos aproveitar o boom da economia mundial, portanto o impacto da crise no Brasil afetou menos as estruturas do que em outros países”.

Afif complementou ainda que as instituições financeiras brasileiras estão sólidas, existe um forte controle governamental sobre o sistema. “Toda a experiência inflacionaria que temos nos permitiu estar numa posição mais consolidada agora, diferentemente do que acontece com os outros mercados. Em matéria de crédito, nós realmente estamos começando a crescer e ainda falta muito para chegarmos ao patamar desejado”, disse.

Também participaram do evento Hélio Zylberstajn (FEA-USP), Clemente Ganz Lúcio (Dieese),Vander Morales (ASSERTTEM), Emerson Casali (CNI), Magnus Apostólico (Febraban), Marcelo Lomelino (Alcoa), Ricardo Amiratti (consultor de Relações Trabalhistas), Aparecido Donizeti da Silva (CUT) e Ricardo Patah (UGT).

 
FONTE: Redação