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FIESP: fevereiro é negativo para a indústria

“Não é preciso repetir que a indústria de transformação não vai bem”, afirmou o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, em coletiva de imprensa na sede das entidades, em São Paulo. O diretor, que apresentou os indicadores regionais e setoriais de nível de emprego no estado de São Paulo, observa que a queda desses índices no mês de fevereiro foi atípica e gerada principalmente pela problemática das pesadas cargas tributárias, dos juros e da guerra dos portos.

Em 2012, a variação no índice de empregos industriais vem repetindo o quadro do ano de 2006, em que os resultados giraram em torno de -0,1%. Excluindo-se 2009 – em que houve crise econômica global -, o ano de 2012 representou a menor média desde 2006. Além disso, a medida anunciada pelo governo que desonera a folha de pagamento também foi fator prejudicial para a indústria têxtil paulista, isso porque gera aumento nos gastos empresariais. De acordo com a FIESP, a oneração dos tributos e a elevação do PIS e COFINS devem ser impostas a outros setores que não a indústria de transformação, que já está submetida a diversos encargos tributários. “Quanto à questão da taxa de câmbio, o governo brasileiro está determinado a controlar a variação da moeda”, observou Paulo Francini.

De acordo com a análise da FIESP, a indústria possui mais mão-de-obra do que o necessário. “Não porque seja benevolente, mas demitir funcionários é um risco e custa caro”, comenta Francini, ressaltando que a indústria continua operando com estoques elevados em razão das baixas demandas. No interior de São Paulo, a variação no índice de empregos industriais se aproxima da média estadual, com 0,38%. Na região de Americana e Campinas, por exemplo, as taxas são 0,4% e -0,3%, respectivamente.

A entidade prevê aumento de apenas 02,% na taxa de empregos em 2012 em comparação ao último ano. Quanto à produção, é necessário que a indústria cresça 0,7% ao mês durante todo o ano para que feche o ano sem perdas. Além disso, segundo as expectativas da FIESP, o PIB da indústria de transformação paulista deve apresentar crescimento bastante reduzido em 2012.