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Indústria paulista fecha 500 postos de trabalho em junho

O setor produtivo de São Paulo fechou 500 postos de trabalho em junho na comparação com o mês anterior, o equivalente a uma ligeira retração de 0,03% na leitura mensal sem o ajuste sazonal, aponta pesquisa do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp divulgada nesta quinta-feira (14).

Considerando o ajuste sazonal, o emprego na indústria caiu 0,13%. Nos primeiros seis meses do ano foram criadas 116.500 vagas no setor, um aumento de 4,5%. No acumulado de 12 meses, foram gerados 70.500 empregos, com variação positiva de 2,63% em relação ao período anterior.

A variação negativa, considerada “modesta” pelo diretor do Depecon, Paulo Francini, já era esperada, uma vez que fatores como a valorização do Real, estimulando as importações, e a alta da inflação continuam prejudicando a competitividade da indústria.

“No primeiro semestre, uma nova equipe de governo estava chegando e precisava se ajustar. Espera-se que no segundo semestre algumas coisas venham a surgir na área econômica da nova gestão, algumas medidas para a indústria de transformação”, afirmou o diretor.

 Ritmo desacelerado

O nível de emprego da indústria paulista cresceu 0,62% em junho de 2010, sem o ajuste sazonal, e 0,52%, considerando os ajustes.  

“Se acompanharmos o crescimento de 2010, um ano forte que perdeu forças entre o final de 2010 e o começo de 2011, veremos que este ano não apresenta o mesmo vigor do anterior”, disse Francini.

As elevadas importações devem continuar afetando o setor produtivo brasileiro, sobretudo o paulista, na medida em que o Real se mantém valorizado.  “Se a inflação der uma folga, o governo poderá retomar algumas medidas de controle na taxa de câmbio.”

Francini acrescentou que o segundo semestre não deve apresentar uma taxa expressiva de crescimento.  “Se isso ocorrer, chegaremos ao final do ano com algo em torno de 2,5%.”

Setores

Em junho, o emprego no setor sucroalcooleiro aumentou apenas 0,02%, equivalente a 357 novos postos de trabalho, resultado bem menor em relação aos mais de 6.000 empregos criados em fevereiro, período no qual o plantio de cana teve ritmo acelerado. No acumulado do ano, o setor gerou 57.272 empregos, crescimento de 2,21%.

“Estamos assistindo ao mesmo cenário de todos os anos. No primeiro semestre, o setor de açúcar e álcool cresce por conta da sazonalidade”, ponderou Francini.

Das atividades analisadas pelo Depecon, 11 mostraram desempenho positivo, 2 ficaram estáveis e 9 registraram baixas em seus quadros de funcionários.

Entre os setores com comportamento positivo, destaque para Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos, que apresentou alta de 1,2%. Em seguida, vieram os setores de Fabricação de Coque, Petróleo e Biocombustíveis (1,0%) e Produtos de Madeira (0,6%). Os setores que registraram queda foram Couro, Artigos de Viagem e Calçados (-1,2%) e Produtos Têxteis (-0,8%).

Regiões

Quanto ao desempenho das Diretorias Regionais do Ciesp, 17 computaram  queda no quadro de funcionários, em junho, 15 registraram alta e 4 permaneceram estáveis. Entre as regiões com desempenho negativo estão Botucatu (-9,53%), ocasionado por Confecções e Artigos do Vestuário e Produtos de Minerais não Metálicos; Santo André (-1,14%) influenciado por Produtos de Borracha e Plástico e Metalúrgica; e Presidente Prudente (-1,06%), por Produtos de Minerais não Metálicos e por Artefatos de Couro, Calçados.

Já as três regiões que cresceram foram Matão, com 1,93%, puxada por Produtos Alimentícios e Produtos de Metal exceto Máquinas e Equipamentos. Em São José dos Campos, 1,03% influenciada por Equipamentos de Informática e Produtos Eletrônicos e também por Produtos Alimentícios. E, em Piracicaba, 0,72%, por Produtos de Minerais não Metálicos e por Veículos Automotores e Autopeças.