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14/05/2007 - Governo estuda propostas
para reduzir custo fiscal de setor
têxtil
O Governo Federal deve lançar
uma medida para desonerar a folha
de pagamento de setores produtivos
da economia que vêm sendo prejudicados
pela desvalorização
do dólar. O anúncio
foi feito esta semana pelo ministro
do Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio
Exterior, Miguel Jorge, durante encontro
com deputados federais que integram
a Frente Parlamentar do setor Coureiro-Calçadista
e Moveleiro.
Na avaliação do ministro
da Fazenda, Guido Mantega, a valorização
do real veio para ficar e, portanto,
é necessário dar melhores
condições de competitividade
para a indústria manufatureira
que faz uso intensivo de mão-de-obra.
De acordo com o ministro, entre os
setores que serão favorecidos
estarão o têxtil, o calçadista,
o moveleiro, o de construção
civil, entre outros. "Há
tempos reivindicamos essa medida",
informou o deputado federal Vanderlei
Macris, em nota para a imprensa. "A
medida é positiva e integra
as propostas do setor que amarga resultados
negativos há vários
meses".
De acordo com o presidente do Sinditêxtil
(Sindicato Têxtil de São
Paulo), Rafael Cervone, o setor têxtil
é o 2º maior empregador
do Brasil, com 14% da mão-de-obra
brasileira, e corresponde por 17,5%
do PIB do país. "O câmbio
aperta sim, mas as práticas
ilegais de comércio complicam
muito", observou. Recentemente
a Polícia Federal apreendeu
15 toneladas de ternos de lã
fria vindos da China e que seriam
vendidos em São Paulo a poucos
centavos. "Acontece uma série
de casos como este", frisou Cervone.
"No ano de 2005 fechamos com
superávit de US$700 milhões.
Para este ano, projetamos um déficit
de US$1 bilhão. É muita
coisa".
A desoneração da folha
de pagamento faz parte de um tripé
de exigências do setor para
o Governo como concentração
das desembarcações em
apenas cinco pontos do país
e negociação imediata
com os principais países de
exportação (EUA, Japão
e países da Europa) "Nós
já conseguimos 35% para a alíquota
do vestuário, mas não
o suficiente para o setor".
Outras reivindicações
são a desoneração
do ICMS paulista também sobre
o mercado varejista, o que possibilita
a redução no preço
final do produto para o consumidor,
e desoneração do ICMS
sobre a energia elétrica. "A
matéria prima (energia) vai
subindo e o produto continua o mesmo.
Isso vai apertando até chegar
ao limite, e já chegou".
E acrescentou: "Se formos atendidos,
temos condições para
criar 280 mil empregos, caso contrário,
o setor prevê a demissão
de 1 milhão de trabalhadores".
Já para o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores Têxteis, Claúdio
Peressim, as medidas serão
bem-vindas desde que não afete
o trabalhador. "Parece-me que
os ministros estão vendo o
setor com bons olhos e, agora, criando
medidas para fortalecer e abrir novas
oportunidades de emprego. A idéia
é boa, desde que não
prejudique o trabalhador. Não
vamos permitir que tirem os direitos
conquistados".
O ministro da Fazenda não
detalhou o que será feito para
melhorar a situação
das empresas, tampouco o ministro
do Desenvolvimento Econômico,
e afirmou que a medida e seus eventuais
impactos na economia ainda estão
sendo estudados pela equipe técnica
da Fazenda.
A meta é reduzir custo de
mão-de-obra, seja via folha,
PIS Cofins, ou colocar no faturamento;
reduzir ou eliminar a cobrança
de 20% de INSS sobre a folha e, de
alguma forma, compensar a isenção
com a elevação de alíquotas
de tributos sobre o faturamento das
empresas.
Mantega reiterou que a medida vai
ao encontro à necessidade do
setor sobre a redução
do custo fiscal. Ele também
afirmou que outras medidas de estímulo
à produção ainda
são necessárias, como
a desoneração da folha
de pagamento para os setores afetados
pelo câmbio e o processo de
redução de taxa de juros
e aos incentivos dados pelo PAC (Programa
de Aceleração de Crescimento)
ao segmento de infra-estrutura.
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