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14/06/2007 - Audiência Pública
na Câmara dos Deputados discute
soluções para setor
têxtil
O Sinditêxtil-SP, a ABIT e
representantes de sindicatos trabalhadores
do setor têxtil, apresentou
aos deputados federais e autoridades
do governo, nesta quarta-feira (13),
em audiência pública
na Câmara dos Deputados, as
principais reivindicações
do setor que enfrenta grave crise.
Só em 2006, foram fechados
100 mil postos de trabalho em função
da desvalorização do
dólar norte-americano frente
ao real e também devido à
competição com as importações
ilegais de produtos asiáticos.
O assunto foi debatido em audiência
conjunta das Comissões de Relações
Exteriores e de Defesa Nacional; Desenvolvimento
Econômico, Indústria
e Comércio; e de Finanças
e Tributação da Câmara.
O empresário e presidente
do Sindicato da indústria têxtil
de Pernambuco, Oscar Rache Ferreira,
mostrou preocupação
com a concorrência dos produtos
importados, principalmente da China
e os impostos cobrados no Brasil.
A cadeia de têxteis brasileira
paga, segundo ele, cerca de 40% de
impostos enquanto os produtos importados
chegam aqui com 10% de impostos. "Nós
somos muito competitivos. A indústria
têxtil investiu 10 bilhões
de dólares, é a sétima
maior do mundo, mas a gente não
sabe fazer mágica", diz
ele.
De acordo com o coordenador de Política
Tributária do Sindicato Nacional
dos Analistas-Tributários da
Receita Federal do Brasil (Sindireceita),
Ronaldo Lázaro Medina, a redução
da carga tributária depende
de uma reflexão mais ampla
sobre o papel do Estado. Segundo ele,
para haver essa redução
é preciso gerar superávit
no País. Entretanto, por outro
lado, há uma demanda crescente
por mais gastos públicos, tanto
em serviços quanto em investimentos
em infra-estrutura, por exemplo. Ele
disse ainda que todos os esforços
estão sendo feitos para evitar
a entrada de produtos ilegais no território
nacional.
O deputado Rocha Loures (PMDB-PR),
um dos autores do requerimento para
a realização da audiência,
disse que aguarda uma sinalização
do Ministério da Fazenda com
relação ao mecanismo
de desoneração na folha
de pagamento para o setor têxtil,
vestuário e confecção.
"Sem que haja uma medida clara
neste setor nós não
conseguiremos manter os postos de
trabalho que hoje a indústria
têxtil garante à economia
brasileira na escala de 1 milhão
650 mil carteiras assinadas, sendo
o maior empregador formal do país",
diz o parlamentar.
Durante o encontro foram discutidas
ainda as medidas de fortalecimento
da indústria anunciadas pelo
governo federal na última terça-feira
(12). Uma delas é a tributação
específica das importações
de vestuário que deixa de ser
feita sobre o valor da mercadoria
importada e passa a ser feito sobre
o produto, com base na quantidade
de peças importadas. As medidas
anunciadas, que incluem ainda linhas
de crédito na ordem de R$ 3
bilhões e antecipação
de crédito do PIS e Cofins
para aquisição de bens
de capital, foram bem vistas pelos
empresários, mas consideradas
insuficientes. "As medidas ajudam
as empresas que têm intenção
de investir. O problema é que
no momento atual do setor poucos empresários
têm condição hoje
de fazer investimentos, obtendo lucro
e tendo retorno desses investimentos",
diz o empresário têxtil
Flávio Roscoe Nogueira.
Segundo o coordenador geral de Competitividade
e Análise Setorial da secretaria
de Política Econômica,
do Ministério da Fazenda, Dyogo
Henrique de Oliveira, as medidas adotadas
pelo governo foram as possíveis.
"O governo está disponível
e disposto a trabalhar e continuar
analisando novas medidas que possam
ser adotadas no futuro. No momento
fizemos tudo o que era possível
dentro das limitações
que o governo tem. Mas nós
estamos à disposição
da indústria para encontrar
meios que viabilizem o crescimento
do setor."
O presidente da Associação
Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção, ABIT,
Josué Gomes da Silva considerou
a audiência importante na medida
em que expõem para a sociedade
as reivindicações do
setor. "Nós não
precisamos de nenhuma medida superficial,
precisamos apenas de isonomia, de
condições de igualdade
de competição. Isso
envolve um implacável combate
à importação
ilegal e desleal, envolve acordos
comerciais com os principais mercados
do mundo e também a desoneração
tributária. São medidas
que se implementadas poderão
levar o setor à criação
de pelo menos um milhão de
novos postos de trabalho."
Já o deputado Vanderlei Macris
(PSDB-SP) acredita que o debate com
a presença de representantes
da Receita Federal e do Ministério
da Fazenda certamente será
levado em conta para as próximas
ações do governo. Ele
prometeu ainda mais empenho no Congresso
Nacional. "Nós pretendemos
atuar mais fortemente nas comissões
e no plenário geral da Câmara
para que o governo atue mais fortemente
nessas questões estruturais.
Isso vai fazer parte de um relatório
onde vamos definir novas questões
futuramente.
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- Medidas
anunciadas pelo Governo
- Setor
têxtil é vítima
da concorrência predatória
- Material
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