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14/06/2007 - A taxa de câmbio
é um crime social
O conjunto de medidas anunciadas
anteontem (12) pelo Governo para ajudar
os setores prejudicados pelo dólar
barato não empolgou a totalidade
dos industriais sediados em Jundiaí.
O titular regional da Federação
das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp), George Tomic,
é um dos que não vê
compensações nos R$
3 bilhões destinados a financiamentos.
"Os setores não estão
preocupados com os investimentos.
Nós queremos é vender",
enfatizou o titular na manhã
de ontem, ao telefone. Tomic estava
em Brasília, onde participou
de uma audiência pública
na Câmara. Na reunião,
o titular do Fiesp abordaria justamente
os problemas econômicos enfrentados
pelo setor industrial. "O que
queremos é desoneração
tributária e trabalhista. O
governo está nos acenando com
recursos, mas não é
isso que vai resolver os nossos problemas."
O pacote governamental prevê,
entre outras coisas, a abertura de
três linhas de crédito
no Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES),
no valor de R$ 3 bilhões. As
taxas de juros desses empréstimos
serão subsidiadas pelo Tesouro
Nacional. Apenas as empresas dos setores
de calçados e artefatos de
couro, têxtil, confecções
e móveis, com faturamento de
até R$ 300 milhões por
ano, terão acesso a elas.
Outra medida é a mudança
da tributação das importações
de vestuário, com o objetivo
de coibir a prática de subfaturamento
dos produtos estrangeiros que ingressam
no País. "Esta é
a medida mais efetiva, principalmente
para o setor têxtil", enfatizou.
Com o real valorizado frente ao dólar,
produtos importados chegam com mais
facilidade - e com menores preços
- ao mercado brasileiro e competem
com a indústria nacional. "A
taxa de câmbio é um crime
social. Nós estamos perdendo
emprego."
Ciesp
"É uma iniciativa positiva",
analisou Vandermir Francesconi Junior,
diretor-titular do Centro das Indústrias
do Estado de São Paulo (Ciesp).
"Os setores contemplados são
realmente os que mais sofrem com a
valorização do real
e com os importados da China. Essa
ajuda permitirá a manutenção
de empregos nesses setores."
Francesconi considerou positiva a
suspensão da Contribuição
para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins) e do Programa de Integração
Social (PIS) na aquisição
de insumos e bens de capital para
as empresas que exportam mais de 60%
da produção. Até
então, apenas as empresas que
exportavam mais de 80% tinham o benefício.
"Só precisamos ficar atentos
às regras dos financiamentos.
Dependendo a burocracia, poderemos
definir o quão abrangente será
o programa."
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