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CAMEX aprova desoneração para importação de algodão

Com abastecimento desequilibrado por conta de diversos fatores como a redução da safra de alguns importantes produtores mundiais e retomada do consumo neste ano, o setor têxtil brasileiro aplaudiu a decisão de hoje da Câmara de Exportação do MDIC (Camex) de aprovar a desoneração da importação de 250 mil toneladas de fibra de algodão através da redução da alíquota do imposto de importação de 10% passando para 0 % após a decisão, para o período determinado entre outubro de 2010 e maio de 2011.

A proposta de importar algodão com tarifa menor, bem como o cálculo da quantidade necessária, foi apresentada de comum acordo entre a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (ABRAPA) e da Associação Nacional de Exportadores de Algodão (ANEA). A proposta foi encaminhada na semana passada e teve boa acolhida do governo, mas era preciso ser aprovada pela CAMEX. Agora, a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do mesmo Ministério irá publicar a norma que regulamentará a forma como as empresas deverão utilizar a cota com imposto reduzido.

“Foi uma decisão muito aguardada, pois estávamos na iminência de termos empresas paralisando sua produção e dispensando funcionário por falta de matéria-prima. Houve quebra de safra em diferentes países, não só no nosso País, além do problema do Paquistão que perdeu sua safra nas enchentes. Por isso, no mundo todo o algodão está caro. No Brasil, o preço aumentou 56% de fevereiro a agosto, dos quais 35% foram registrados apenas no mês de agosto. Pelo menos agora vamos ter algodão para trabalhar”, explica Aguinaldo Diniz Filho, presidente da ABIT.

“Essa conquista é fruto de um trabalho imprescindível em conjunto entre a ABIT, a Abrapa e a Anea para que a indústria continue com a sua produção normal. Como a safra nacional neste ano não foi o suficiente para abastecer nosso mercado, é importante que possamos importar a matéria-prima a preços justos. Com a alta nos valores internos do algodão, esses preços foram repassados ao consumidor final e a desoneração para importar o algodão irá fazer com que a nossa indústria continue competitiva frente a outros mercados. É uma vitória para toda a cadeia têxtil”, comemorou Ivan Bezerra Filho, coordenador do Comitê do Algodão da ABIT.

A expectativa do setor é que a SECEX publique a metodologia de compra em poucos dias. O Brasil vinha colhendo cerca de 1 milhão  e 300 mil toneladas de algodão antes da crise. Desses, o mercado interno consumia 1 milhão de toneladas e o restante era exportado. Contudo, a safra neste ano chegou a somente 1,1 milhão de toneladas das quais mais de 150 mil foram exportadas nos primeiros sete meses do ano.