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Setor têxtil paulista: produção física cai em 2009

Em 2009, a produção física industrial no setor têxtil paulista fechou negativa em 4,64%. No entanto, a queda é menos expressiva se comparada ao índice nacional, que foi de -6,38% e, principalmente, em relação a outros importantes estados que amargaram quedas de dois dígitos em sua produção, tais como Rio de Janeiro (-17,37%), Minas Gerais (-11,05%) e Pernambuco (-19,58%).  No mesmo período, a indústria de transformação caiu 8, 43% em São Paulo e atingiu -7,33% no Brasil. A produção física industrial no setor têxtil paulista, no ano passado, também registrou melhor resultado do que a produção do vestuário, que teve queda de 6,25%. “Percebemos que a queda na produção física do vestuário foi maior que a têxtil, fundamentalmente porque as importações em vestuário têm sido responsáveis pela queda na produção física”, destaca o presidente do Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone Netto.

Analisando apenas o mês de dezembro contra dezembro de 2008, o índice aponta resultado positivo: no têxtil houve crescimento de 24,02% e de 7,94% no vestuário. “Para 2010, estimamos crescimento em torno de 5% para a indústria têxtil de São Paulo, em comparação com o ano anterior. Mas, vale ressaltar, que isso vai depender do que ocorrerá com o nosso pleito para a redução do ICMS, que atualmente está em 12%. Se cair para 7%, como solicitamos ao governo paulista, estimo que o crescimento pode ser de até 10%”, ressalta Cervone.

Empregos

O setor têxtil e de confecção paulista fechou 2009 com demissões: 247 vagas foram fechadas. O resultado se deve, principalmente, às 6.316 demissões registradas somente no mês de dezembro, ao passo que até novembro o acumulado de novos postos era de 6.069 vagas criadas de janeiro a novembro. “Vale salientar que o volume de demissões em dezembro do ano passado já diminuiu em relação a dezembro de 2008 (8.845 demissões) e segue no caminho de retomar índices menores alcançados em anos anteriores”, aponta Cervone. Contudo, dezembro é um mês tradicional de demissões.

2003: - 4.449 2004: - 4.196 2005: - 4.590 2006: -4.099 2007: -5.235 2008: - 8.845 2009: - 6.316

 

Balança Comercial

O setor têxtil e de confecção paulista fechou o ano de 2009 com um déficit acumulado de US$ 469 milhões em sua balança comercial, excluindo fibra de algodão. O resultado deve-se ao valor de US$ 851 milhões em importações realizadas de janeiro a dezembro de 2009 contra US$ 382 milhões em exportações. São cifras inéditas na história do setor. Até então, o pior resultado negativo da balança têxtil e de confecção paulista havia sido de US$ 455 milhões, em 2005.

“Dentro do cenário que vínhamos projetando desde o ano anterior, este resultado, apesar de amargo, já era esperado tendo em vista a forte apreciação do dólar. Assim, tanto as empresas, mas principalmente o governo terão que tomar medidas para garantir a competitividade dos nossos produtos, diante de um mercado cada vez mais disputado”, comenta o presidente do Sinditêxtil-SP.

Importações do Estado de São Paulo (excluindo fibra de algodão)

 

2008 2009
Total US$ 938,9 mi US$ 850,6 mi
China US$ 240,5 mi US$243,5 mi
Estados Unidos US$ 115,9 mi US$ 102,0 mi
Argentina US$ 81,9 mi US$ 60,9 mi
Coréia do Sul US$ 47,3 mi US$ 43,1 mi
Índia US$ 46,9 mi US$ 37,8 mi

 

Exportações do Estado de São Paulo (excluindo fibra de algodão)

 

2008

2009

Total

US$ 483,9 mi

US$ 381,8 mi

Argentina

US$ 186,4 mi

US$123,2 mi

Paraguai

US$ 30,0 mi

US$ 33,8 mi

Chile

US$ 25,2 mi

US$ 22,3 mi

Estados Unidos

US$ 32,2 mi

US$ 21,9 mi

Colômbia

US$ 31,2 mi

US$ 20,2 mi

 

Janeiro 2010

No primeiro mês do ano, as exportações brasileiras de têxteis e confeccionados registraram aumento de 7,64% (US$ 82,1 milhões) nas exportações e de 37,56% (US$ 337 milhões) nas importações, excluindo a fibra de algodão. No entanto, em São Paulo, os resultados foram melhores que a média nacional: enquanto as importações tiveram alta de 14,48% (US$ 76,6 milhões), as exportações cresceram 42,17% (US$ 26,8 milhões). “O forte crescimento da exportação paulista se justifica pela retomada da produção mundial que, em janeiro de 2009, estava profundamente afetada pela crise. A retomada da produção demandou insumos têxteis fornecidos pelo Estado de São Paulo como pode ser verificado nos dados de exportação de fibra de viscose, cabo de acetato e tecidos”, comenta Cervone.