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Têxtil: evento inédito une indústria e varejo

Representantes da cadeia de produção e distribuição da indústria e varejo estiveram reunidos no dia 18/11, na sede do Sindicato da Indústria Têxtil do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), durante o workshop “Indústria e Varejo – Têxtil e Confecção: uma visão convergente da cadeia de suprimentos”. A reunião inédita entre o varejo e a produção têxtil foi uma iniciativa conjunta do Sinditêxtil-SP, ABIT, Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) e ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), e contou também com as presenças da Associação Brasileira dos Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (ABRAFAS).
 
Adotar medidas que fortaleçam a confecção foi um dos principais consensos do encontro em que as entidades participantes concordaram em constituir um Fórum Permanente de discussão, com uma agenda que incluirá ações a curto, médio e longo prazo. O grupo também sugeriu reunir informações e métricas consolidadas em um único documento, com o intuito de evitar dados divergentes, bem como identificar os problemas da produção e do varejo.
 
O presidente da ABIT, Aguinaldo Diniz Filho, destacou a importância de estabelecer um canal de comunicação direto. “Vamos fazer nosso dever de casa, mapear nossos problemas e iniciar juntos uma forte e consistente ação política”, enfatizou. “Hoje, a indústria e o varejo juntos reúnem mais de 2 milhões de empregos diretos no Brasil. Temos que usar essa força para que o governo reveja a tributação e nossas empresas não sejam pulverizadas”, complementou Oswaldo  Oliveira, diretor de Operações da Rosset.  “Se os produtos são globais, os procedimentos e as exigências  para os fornecedores também devem ser globais”, considera o diretor superintendente da ABIT, Fernando Pimentel. O crescimento do varejo no Brasil também foi destacado no seminário. “Algumas redes já são iguais ou até superiores às redes de varejo internacionais em serviço, qualidade e mix de produtos”, ressaltou Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas. Flávio Rocha, CEO da Riachuelo, destaca a importância da integração dos elos da cadeia. “Um dos maiores erros é achar que basta ter todos os elos competitivos, mas se não são integrados nada adianta”. O diretor-presidente da Marisol, Giuliano Donini, também defendeu a integração do setor. “A indústria e o varejo podem se unir, o que beneficiará o consumidor”, disse.
 
O vice-presidente do IDV, José Galló, apontou a importância dos fornecedores nacionais, porém destacou o problema da pulverização das confecções. “É preocupante o fato de fornecedores não conseguirem crescer e acompanhar o crescimento do varejo. Hoje são as leis de mercado que regem o varejo e a indústria. O consumidor pesquisa e exige qualidade a preço competitivo”, diz. “A ‘Síndrome de Peter Pan’ prejudica a qualidade e impede o crescimento das empresas. Tudo isso para compensar a carga tributária”, resumiu Marcos Gouvêa de Souza, CEO da GS&MD Gouvêa de Souza. “Não queremos importar. Somos obrigados a importar e a adoção de barreiras à importação não resolvem o problema que é estrutural. Há um sentido de urgência na solução dos mesmos e esta convergência é muito positiva”,  diz Sandro Benelli, Global Sourcing Director do Grupo Pão de Açúcar. “O nosso varejo se abastece, na maior parte, da indústria nacional. Ainda assim, há espaço para crescer com as políticas corretas”, enfatizou o diretor do IEMI, Marcelo Prado.
 
Segundo especialistas, o mercado da moda continuará crescendo no mundo e, nesse contexto, o Fast Fashion, com preço e qualidade, será o trunfo da indústria nacional visto que a velocidade é cada vez mais crucial no processo produtivo e de distribuição. “O varejo precisa da indústria nacional e vice-versa. É um casamento sem divórcio”, declara Alberto Serrentino, diretor da GS&MD Gouvêa de Souza.

Veja abaixo as apresentações disponiveis para download:

Fernando Pimentel
Haroldo Silva