20/07/2005
- Responsabilidade Social no setor têxtil
Dos
mais de 117 mil presos do Estado de
São Paulo, 42 mil têm algum
tipo de trabalho dentro ou fora das
unidades prisionais. São homens
e mulheres que produzem desde o uniforme
dos agentes de segurança (foto)
a equipamentos hidráulicos nas
fábricas instaladas nos presídios.
No trabalho, os presos encontram, além
do salário, uma maneira de ocupar
o tempo, aprender um ofício e
redimir a pena para cada três
dias trabalhados, um é reduzido.
Para ajudar a recuperação
dessas pessoas através do trabalho,
a Funap Fundação
de Amparo Preso e as principais associações
do setor têxtil, ABIT e Sinditêxtil-SP,
estão formando um canal de
comunicação que vai
auxiliar o empresário a encontrar
mão-de-obra dentro das penitenciárias
paulistas. A Funap, vinculada à
Secretaria da Administração
Penitenciária, é responsável
por levar educação,
trabalho e assistência jurídica
a presos e egressos.
Somente no setor de confecções,
a Funap Fundação
de Amparo ao Preso mantém três
oficinas próprias em presídios
paulistas: na Penitenciária
Feminina de Tremembé, Penitenciária
II de Tremembé e Penitenciária
Feminina da Capital, que juntas têm
capacidade para produzir até
35 mil peças por mês,
entre uniformes e macacões
de trabalho. Além de uniformes
para diversas empresas, essas oficinas
já produziram, sob encomenda,
produtos para uso hospitalar, de lençóis
a aventais cirúrgicos para
órgãos públicos
e privados.
Outra opção de trabalho
é através da alocação
de mão-de-obra feita pela Funap.
Nesse caso, há duas possibilidades.
A primeira é para presos do
regime fechado: o empresário
instala sua linha de produção
dentro da unidade prisional, com produtividade
e desempenho avaliados. A segunda
é para presos do regime semi-aberto,
que podem sair para trabalhar durante
o dia e voltam à noite para
o presídio.
As vantagens para o empresário
que contrata mão-de-obra carcerária
são bastante visíveis
do ponto de vista financeiro. Isso
porque a contratação
de trabalhadores presos é prevista
por resolução da Secretaria
de Administração Penitenciária,
com base na Lei de Execuções
Penais (LEP). Portanto, o trabalho
não é regido pela CLT,
o que reduz os custos. Pelo fato de
estar concentrada em apenas um local,
o controle da produção
terceirizada também é
garantida, com padronização
de qualidade.
Mas, mais do que uma forma de diminuir
os encargos trabalhistas, a contratação
de mão-de-obra carcerária
é uma maneira do empresário
contribuir para qualificação
do preso como profissional no segmento
e, conseqüentemente, para a redução
da reincidência, da criminalidade
e da violência. Vale lembrar
que, atualmente, as estatísticas
apontam que 65% dos presos são
reincidentes.
Não é só
o lado financeiro, o empresário
deve ter em mente que o trabalho ajuda
a redimir a pena e que é necessário
qualificar o trabalhador para ele
ter uma oportunidade também
do lado de fora, diz Evail Cezarano
Júnior, empresário que
assinou contrato com a Funap há
cerca de um mês para a produção
de camisetas na Penitenciária
Feminina do Tatuapé. Com 14
presas já contratadas para
a oficina montada dentro da unidade,
ele pretende chegar ao final de julho
com 30 pessoas na sua empresa.
Na opinião de Evail, a decisão
de contratar mão-de-obra carcerária
está se mostrando uma opção
acertada, dado o empenho das trabalhadoras.
Afinal, há fila
dentro das unidades prisionais para
conseguir um emprego. Estou
gostando do trabalho das reeducandas,
estou com um projeto de ampliação.
Acho que vai dar muito resultado,
afirma.
Os empresários interessados
na parceria podem entrar em contato
com a gerente de Alocação
de Mão-de-Obra Carcerária,
Maria Solange Senese, pelo telefone
11 3150 1027 ou pelo e-mail msenese@sp.gov.br.
Mais informações: www.funap.sp.gov.br.
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