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24/06/2007 - Setores cogitam cancelar
exportação
Empresas do setor calçadista
já cogitam a possibilidade
de suspender pedidos do mercado externo
por causa do dólar baixo, segundo
o vice-presidente da Abicalçados
(Associação Brasileira
das Indústrias de Calçados),
Milton Cardoso. "Os reflexos
da queda do dólar sobre o setor
são nefastos. Temos notícias
de que há um número
importante de fábricas dedicadas
em grande parte à exportação
que já consideram seriamente
a hipótese de encerrar as vendas
ao mercado externo por absoluta inviabilidade
do negócio", disse.
A possibilidade é observada
também no setor têxtil,
segundo o diretor-superintendente
da Abit (Associação
Brasileira da Indústria Têxtil
e de Confecção), Fernando
Pimentel. "Com esse câmbio,
algumas empresas, estruturalmente,
vão manter a produção
para a exportação, mas
na realidade o que vai ocorrer, sem
sombra de dúvida, é
uma interrupção das
vendas externas. E o Brasil pode regredir
com isso", acrescentou Pimentel.
O dólar comercial caiu abaixo
dos R$ 2 na semana passada e oscila
ao redor desse patamar. Ontem, a divisa
norte-americana fechou a R$ 1,952.
Para Pimentel, a queda do dólar
explicitou uma série de mazelas
da economia que já estavam
em debate, mas que nunca foram resolvidas.
"Estamos falando de carga tributária,
dos juros, de acordos internacionais,
de de infra-estrutura e encargos trabalhistas
onerosos para empresas". Na avaliação
do vice-presidente da Abicalçados,
o movimento do câmbio têm
prejudicado dois grupos de empresas:
aquelas que são muito voltadas
para as exportações
e as que atuam no mercado interno
e sofrem forte concorrência
do produto importado.
Reflexos - Dados divulgados pela
Abicalçados e Abit já
evidenciam os reflexos da queda do
dólar sobre os negócios.
O faturamento do setor calçadista
com as exportações diminuiu
0,27% no primeiro quadrimestre deste
ano em relação a igual
período de 2006, ficando em
US$ 624,6 milhões. Apesar disso,
o saldo comercial do setor está
positivo em US$ 559 milhões
em quatro meses. O vice-presidente
da Abicalçados ressaltou que
o Brasil é ainda o terceiro
maior produtor de sapatos do mundo.
No caso do setor têxtil, a queda
das exportações foi
de 0,89%, para US$ 681 milhões.
A balança comercial da indústria
têxtil já acumula, de
janeiro a abril, um déficit
de US$ 263 milhões e, segundo
estimativa da Abit, deve encerrar
o ano com saldo negativo em torno
de US$ 1 bilhão. Uma das demandas
dos dois setores junto ao governo,
de aumento dos impostos sobre importados,
em parte, já foi atendida.
O governo federal anunciou no mês
passado a elevação do
imposto de importação
de têxteis e calçados
de 20% para 35% _o máximo permitido.
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