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Copa 2014 deve gerar R$ 142 bi adicionais para economia brasileira

A Copa do Mundo de 2014 deverá quintuplicar os investimentos diretos realizados no Brasil, injetando cerca de R$ 142,39 bilhões na economia do País até o ano da realização do evento. A informação é resultante do estudo “Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014”, apresentado em 23 de setembro durante reunião de Diretoria do Sinditêxtil-SP e produzido pela Ernst & Young em parceria com Fundação Getulio Vargas (FGV).

O País será o quinto a sediar duas edições da Copa, após o México, Itália, França e Alemanha. Entretanto, o perfil do evento se alterou desde seu início. Em 2014, será realizada uma competição de grande porte, cuja realização vai requerer extensos processos de preparação e complexas operações, indica o estudo. Por um lado, o Campeonato Mundial gerará reflexos e benefícios em diversos setores da economia e da sociedade, sejam temporários ou duradouros, diretos ou indiretos. Por outro, também apresenta vários riscos, necessitando de processos de gestão eficientes no setor público e privado para que possa proporcionar plenamente esses benefícios à sociedade.

Os impactos socioeconômicos (fluxo de bem-estar que o evento gerará para a população brasileira) têm diversas dimensões e serão percebidos em função de vários fatores. Dependem de que o País consiga aportar os investimentos e as ações necessárias a tempo de o evento ser realizado de forma bem-sucedida; de que aproveite os legados da Copa, transformando-os em bens perenes; e, finalmente, de que alcance esses objetivos de forma economicamente eficiente, sem dispêndios excessivos, má alocação de recursos ou custos de oportunidade.

A ideia é que o Brasil se prepare desde já para que o evento não seja de apenas alguns dias, mas de muitos anos, deixando um legado positivo para o conjunto da sociedade. Mais importante do que só corresponder às expectativas externas em relação ao Campeonato Mundial é criar um ambiente interno para que todas as obras de infraestrutura e os impactos sobre a macro e a microeconomia gerem condições melhores de vida à sociedade brasileira.

O cenário de referência adotado neste estudo aponta que a Copa do Mundo de 2014 vai produzir um efeito cascata nos investimentos realizados no País. A economia deslanchará como uma bola de neve, sendo capaz de quintuplicar o total de aportes aplicados diretamente na concretização do evento e impactar diversos setores. Além dos gastos de R$ 22,46 bilhões no Brasil relacionados à Copa para garantir a infraestrutura, e a organização, a competição deverá injetar, adicionalmente, R$ 112,79 bilhões na economia brasileira, com a produção em cadeia de efeitos indiretos e induzidos. No total, o País movimentará R$ 142,39 bilhões adicionais no período 2010-2014, gerando 3,63 milhões de empregos-ano e R$ 63,48 bilhões de renda para a população, o que vai impactar, inevitavelmente, o mercado de consumo interno.

Essa produção também deverá ocasionar uma arrecadação tributária adicional de R$ 18,13 bilhões aos cofres de municípios, estados e federação. O impacto direto da Copa do Mundo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro é estimado em R$ 64,5 bilhões para o período 2010-2014 – valor que corresponde a 2,17% do montante estimado do PIB para 2010, de R$ 2,9 trilhões.

Como a Copa do Mundo é um evento pontual, uma parte de seus impactos sistemáticos não será permanente. De fato, uma vez concluídos os investimentos e realizada a Copa, a continuidade dos impactos positivos dependerá da capacidade dos agentes envolvidos em aproveitar as oportunidades e os legados do evento. Por esse motivo, a avaliação realizada na primeira parte do estudo é limitada ao período 2010-2014. Assim, a geração de emprego estimada aqui se refere, em princípio, apenas a ocupações temporárias. Os 3,63 milhões de empregos-ano estimados correspondem, em termos salariais, a 3,63 milhões de ocupações com duração de um ano. A distribuição exata desses empregos-ano ao longo do período 2010-2014 dependerá do cronograma preciso de realização das obras e ações. Os setores mais beneficiados pela Copa do Mundo serão os de construção civil, alimentos e bebidas, serviços prestados às empresas, serviços de utilidade pública (eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana) e serviços de informação. Em conjunto, todas essas áreas deverão ter sua produção aumentada em R$ 50,18 bilhões.

O setor têxtil e de confecção também será afetado pela realização da Copa, seja aumentando sua produção de roupas de alta tecnologia para os atletas ou abastecendo o público apaixonado pelo esporte. Estudos indicam que para cada ponto percentual de aumento no PIB brasileiro, o setor eleva seu faturamento em dois pontos percentuais.

A pesquisa aborda ainda o investimento para equacionar os principais gargalos estruturais, como a limitação dos aeroportos, também deve favorecer o fluxo turístico. A perspectiva é de que o número de visitantes internacionais para o Brasil pode crescer 79% até a Copa, podendo ter impacto superior nos anos seguintes. O estudo aponta que, no período 2010-2014, o número de turistas internacionais deve crescer em 2,98 milhões de pessoas.

“O incremento do turismo traz consigo uma entrada significativa de recursos, que acabam se distribuindo entre os setores de hotelaria, transporte, comunicações, cultura, lazer e varejo”, explicou José Carlos Pinto, sócio de assessoria da Ernst & Young. A estimativa é de que só o fluxo induzido pela Copa do Mundo seria responsável por receitas adicionais de até R$ 5,94 bilhões.

Clique aqui para ver a apresentação feita no Sinditêxtil-SP.