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Setor têxtil tem dificuldade de acesso ao financiamento público

Empresários da indústria têxtil apontaram os entraves que encontram para conseguir acesso às linhas de financiamento e às demais ferramentas de fomento – capital de giro, inovação, tecnologia – disponibilizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O debate ocorreu durante o workshop "Desafios e Oportunidades da Política de Desenvolvimento Produtivo", realizado pelo Departamento de Competitividade (Decomtec) da Fiesp, no dia 22 de outubro, na sede da entidade.

"Para o governo liberar as medidas de incentivo é necessário apresentar projetos extensos e complicados, que pouquíssimos especialistas sabem fazer e, portanto, cobram caro por eles", observou Rui Souza, dono de uma empresa de moda masculina. Dessa forma, continuou o empresário, as grandes indústrias são privilegiadas, pois para elas o pagamento pela confecção dos projetos não é tão oneroso.

Mesmo quando as empresas conseguem acesso aos incentivos, encontram mais obstáculos na burocratização do processo de financiamento, esclareceu o empreendedor Fábio Cazarotti, que possui uma indústria de tecido de poliéster. "O governo atrasa os pagamentos das parcelas, às vezes por mais de seis meses, o que força a indústria a desembolsar um grande capital para poder continuar com o projeto", denunciou Cazarotti. Para ele, o governo deveria garantir o cumprimento total dos créditos, dentro dos prazos estipulados.

O economista-chefe da ABIT/Sinditêxtil-SP, Haroldo da Silva, ressaltou a importância da expansão do segmento para o mercado internacional, assim como a necessidade de manter o nível de competitividade das empresas nacionais. "Produtos estrangeiros estão entrando com facilidade e baixos custos no País", apontou. Neste sentido, Silva destacou a necessidade de o Itamaraty fechar acordos bilaterais com outros centros financeiros, especialmente com a União Europeia. "Na exportação de calças jeans brasileiras aos Estados Unidos, por exemplo, há um acréscimo de 17% no preço do produto. Já a Nicarágua não paga imposto, devido ao acordo que fez com o país”, sublinhou.

Além disso, os produtos nacionais deveriam competir em grau de igualdade com os de fora, quando a venda for para os governos federal e estaduais, sugeriu o economista. Na sua opinião, a desoneração na folha de pagamento dos funcionários também seria uma medida para ampliar a competitividade brasileira, já que a mão de obra é o elemento mais caro do segmento.

Segundo o coordenador-geral de Inovação Tecnológica do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Reinaldo Fernandes Danna, os principais entraves das empresas às linhas de financiamento do governo são a falta de conhecimento dos incentivos do BNDES e a pequena prioridade que os empreendedores dão ao desenvolvimento tecnológico. "Há desinteresse por parte delas [indústrias] em se desenvolver", afirmou. Porém, Danna disse que o Ministério está promovendo inúmeros encontros estaduais, seminários e fóruns para difundir e explicar as medidas oferecidas pelo Estado, como a Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CNCTI), que ocorrerá em maio do ano que vem.

"A finalidade da conferência é fortalecer as redes regulamentais, tecnológicas e de inovação, principalmente para indústrias de pequeno porte. Queremos garantir a competitividade e a qualificação dos recursos humanos para elas”, conclui.

Fonte: FIESP