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29/10/2008 - Crise deve beneficiar
indústrias têxteis e
de vestuário
As indústrias têxteis
e de vestuário deverão
ser beneficiadas pela crise e chegarão
ao Natal deste ano e em 2009 com aceleração
do crescimento, na contramão
da desaceleração prevista
para a economia brasileira, segundo
avaliam executivos das principais
entidades do setor. A expectativa
da Associação Brasileira
da Indústria Têxtil e
de Confecção (ABIT)
é de que os investimentos do
setor no ano que vem, previstos em
US$ 1 bilhão, sejam mantidos.
Prejudicadas pelo aumento das importações
de produtos concorrentes, especialmente
da China, por causa da valorização
do
real ante o dólar, as empresas
do setor encaram a atual depreciação
cambial como oportunidade para recuperar
o espaço perdido no mercado
interno.
A balança comercial do setor
têxtil deverá somar um
déficit de US$ 1,6 bilhão
este ano, segundo projeção
do conselheiro da ABIT, Rafael Cervone
Netto, que também é
presidente do Sinditêxtil-SP.
Segundo ele, as importações
são o principal fator a explicar
a significativa diferença entre
o crescimento nas vendas no varejo
de tecidos e confecções
(10,2% no acumulado de janeiro a agosto,
segundo o IBGE) e da indústria
do setor. Ainda segundo o IBGE, a
indústria têxtil acumula
alta na produção de
apenas 0,3% de janeiro a agosto, enquanto
vestuário e acessórios
aumentou 4,9%, ambos abaixo da média
da expansão industrial no período
(6%).
Para Cervone, as importações
de têxteis serão afetadas
não apenas porque ficaram mais
caras por causa do dólar, mas
também pela restrição
de crédito a empresas que já
tinham fechado negócio. "Nas
três primeiras semanas de crise,
os preços dos produtos importados
aumentaram quase 50%", afirma.
Ele disse que alguns importadores
estão preferindo deixar as
encomendas no porto, nos contêineres,
porque fica mais barato do que retirar
as mercadorias. "Somos favoráveis
à abertura de mercado, mas
contra a concorrência predatória",
disse Cervone, que também é
diretor-executivo do programa Tex-Brasil.
Do total produzido pela indústria
têxtil no Brasil, 92% ficam
no mercado interno. O presidente do
SindiVestuário, entidade das
indústrias de confecção,
Ronald Masijah, avalia que nem mesmo
a perspectiva de desaceleração
do crescimento da demanda doméstica
é considerada um obstáculo
para o setor. Ele também acredita
que a crise pode ser uma oportunidade
para o setor concentrar as expectativas
positivas, sobretudo, no próximo
Natal. "Deste limão, a
crise econômica mundial, vamos
fazer uma limonada e tirar algo positivo",
disse.
A avaliação de Masijah
é que, no fim deste ano, as
importações já
terão caído o suficiente
para elevar as vendas dos produtos
nacionais em 8% em relação
ao Natal do ano passado. "Os
preços dos importados estão
ficando mais próximos dos nacionais
e o nosso produto tem melhor qualidade",
explica. Além disso, ele acredita
que recursos que estavam concentrados
no pagamento de prestações
de bens duráveis, como automóveis,
vão ser revertidos para o consumo
de vestuário com a crise.
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