| 30/06/2005
- Criada a Frente Parlamentar em defesa
do setor produtivo paulista
Os
obstáculos ao crescimento da
indústria paulista estão
tanto no campo interno -com a guerra
fiscal - quanto no externo, onde os
principais vilões são
os produtos chineses, que entram no
mercado brasileiro com preços
inferiores aos nacionais. Esses foram
alguns dos problemas discutidos no
lançamento da Frente Parlamentar
em Defesa do Setor Produtivo Paulista,
no dia 29 de junho, na Assembléia
Legislativa do Estado de São
Paulo. O evento foi aberto pelo presidente
da Assembléia Legislativa,
Rodrigo Garcia, e recebeu representantes
de diversas entidades ligadas à
produção industrial
do Estado, entre eles, o presidente
do Sinditêxtil-SP, Rafael Cervone
Netto (na foto, à direita).
Um dos coordenadores da frente, Vanderlei
Macris (PSDB) apontou os setores de
brinquedos, eletroeletrônicos
e têxtil como os mais prejudicados
pela comercialização
de produtos chineses. Segundo ele,
a quantidade da produção
chinesa alimentada por mão-de-obra
barata e empresas isentas de encargos
sociais tornou-se um pesadelo.
Também coordenador da frente,
Antônio Mentor (PT) acrescentou
que o problema não se restringe
às relações internacionais.
Alterações na
cobrança de tributos que permitissem
o recolhimento em São Paulo
de impostos sobre produtos comercializados
em território paulista poderia
ter evitado o êxodo de indústrias,
disse Mentor.
O secretário da Fazenda, Eduardo
Guardia, combinou os aspectos macroeconômico
e microeconômico, ao lembrar
que, além da necessidade de
enfrentar o desafio de uma economia
globalizada, é preciso ter
uma agenda específica, que
inclua questões como guerra
fiscal, mudanças no ICMS e
reforma das regras de ressarcimento
das exportações. Para
estas, disse ele, estão sendo
propostas pelo governo federal formas
de rateio que retiram recursos de
São Paulo.
O presidente da Federação
das Indústrias do Estado de
São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf,
sugeriu quatro linhas de atuação
para a frente parlamentar. Uma delas
é tentar evitar a oficialização
do reconhecimento da China como economia
de mercado, já anunciado pelo
governo brasileiro. O reconhecimento
dificulta a aplicação
de medidas antidumping, afirmou.
Skaf propôs ainda a ampliação
do número de setores contemplados
com a redução do ICMS,
um tratamento adequado às empresas
incluídas no passivo fiscal.
Sonegador não tem passivo
fiscal. Quem tem são as empresas
que devem e não estão
conseguindo pagar, disse. Além
disso, apontou a necessidade de aprovar
rapidamente projetos como o da Lei
Geral da Pequena e Microempresa, que
tramita em Brasília.
Representando o governador Geraldo
Alckmin na cerimônia, o secretário
de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
Econômico, João Carlos
de Souza Meirelles, disse que o governo
estadual apóia as discussões
e pode colocar à disposição
da frente parlamentar subsídios
e especialistas que a auxiliem em
suas atividades.
A Frente Parlamentar em Defesa do
Setor Produtivo Paulista já
agendou reunião para discutir
a pauta de trabalhos, no dia 5 de
julho. Já está definido
que o setor têxtil será
o primeiro segmento econômico
a se reunir com a Frente.
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