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Algodão: com escassez de oferta, Brasil terá de importar 250 mil t

O Brasil terá de importar 250 mil toneladas de
algodão para cobrir a escassez de oferta do mercado interno nos próximos meses. "É consenso entre produtores, exportadores e indústria de que vai faltar algodão no País e precisaremos importar o produto para manter as atividades e viabilizar a produção", afirma Fernando Pimentel, o diretor superintendente
da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT). Ele informou que a carta
com a demanda da cadeia produtiva será protocolada na segunda-feira nos ministérios da Fazenda, Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Em 22 de julho, a ABIT, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) haviam enviado carta aos ministérios pedindo a desoneração para importar 150 mil t da pluma no período de entressafra, entre dezembro e maio. Mas diante da restrição de oferta, o grupo concordou que o volume seria insuficiente para atender à indústria nacional. Como antecipado pela Agência Estado, na semana passada, as entidades agora pedem para adquirir 250 mil t com redução ou isenção temporária da tarifa de importação entre outubro e maio. "Discutimos o abastecimento de forma conjunta. A situação da indústria chegou a um nível dramático: o preço está subindo todo dia e falta produto. Precisamos de uma solução para o insumo que responde por 60% do custo de fiação e tecelagem", afirma. A decisão depende da Câmara de Comércio Exterior (Camex), cuja próxima reunião está prevista para setembro.

Pimentel destaca que o Brasil tem hoje a quinta maior indústria têxtil e de confecção do mundo e emprega diretamente 1,7 milhão de pessoas e envolve indiretamente quase oito milhões de pessoas. Ele pondera que o Brasil não pode correr o risco de perder competitividade e abrir espaço para importação de países asiáticos, que ofe
recem o produto a custo mais baixo. Segundo ele, a região carrega alto nível de estoques, por causa da demanda menor em função da crise nos países desenvolvidos. Ele ressalta ainda que a escalada dos preços vai pressionar os custos de produção da indústria.

O preço da commodity segue forte trajetória de alta por conta da quebra da safra global e no Brasil, do baixo nível dos estoques mundiais, do aumento do consumo interno e no mercado asiático. No mercado futuro da ICE Futures, em Nova York, o contrato mais negociado, base dezembro, subiu 12% no último mês e terminou a sessão desta quinta-feira a 86,15 cents/lb. No mercado interno, o indicador da Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Cepea/Esalq) encerrou o dia a R$ 2,1099/libra-peso, alta de 29% nos últimos trinta dias.

A safra brasileira 2009/10 foi, inicialmente, prevista em 1,28 milhão de t, mas a Abrapa já reduziu a estimativa de produção para 1,07 milhão de t. A ABIT estima o consumo interno em 1 milhão de t e a Anea aponta exportação de 300 a 350 mil t. "A indústria não tem saída precisará importar algodão para cobrir a demanda mensal entre outubro e junho", confirma o presidente da Abrapa, Haroldo Cunha.

Fonte: Agência Estado