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Fim da desoneração da folha dificulta retomada do crescimento

31/03/2017

Abit e Sinditêxtil-SP afirmam que o aumento de custo resultante da medida  terá impacto negativo nos setores produtivos.

“A reoneração da folha de pagamentos é contrária à proposta de conquistar o equilíbrio fiscal por meio da eficiência da máquina administrativa e racionalização das despesas de custeio”, salienta Fernando Pimentel, presidente da Abit, enfatizando: “A medida prejudicará os setores produtivos, em especial o têxtil e de confecção, que foi pioneiro na mudança da base de contribuição, dada sua capilaridade, potencial de geração de empregos e forte concorrência com países que não têm os mesmos padrões de compliance, preocupação ambiental e relações trabalhistas”.   

Luiz Arthur Pacheco, presidente do Sinditêxtil-SP diz que o impacto pode reonerar as empresas paulistas em mais de R$ 120 milhões neste ano. “A medida, concedida a pedido dos setores intensivos em mão de obra, ajudou que a situação das empresas têxteis não piorasse. Em vez de 50 mil demitidos nos últimos dois anos, poderíamos ter tido muitos mais, se não fosse a Desoneração da Folha”.

A desoneração da folha foi adotada para minimizar o aumento da carga tributária pela mudança do PIS/Cofins de cumulativo para não cumulativo, especialmente para setores que empregam muitas pessoas, como as confecções.

 Embora reconheçam a gravidade do quadro fiscal e a necessidade de seu reequilíbrio, a Abit e o Sinditêxtil afirmam que o fim da desoneração foi uma ducha de água fria nos setores produtivos, num momento de expectativa positiva quanto ao início da recuperação econômica. “Onerar a produção num cenário de crédito escasso e juros muito altos, depois de três anos de recessão, não é estratégico, desestimula investimentos e gera desconfiança quanto ao risco de novos aumentos de tributo”, diz Pimentel.

A decisão do governo surpreendeu todos, pois foi adotada sem nenhuma discussão prévia, apesar da entidade estar sempre aberta ao diálogo, às sugestões e às críticas construtivas.

“Na indústria têxtil e de confecção, cuja estimativa era crescer 1% em 2017, o empenho será grande para manter a retomada, mas acredito ser necessário revisar a projeção, o que faremos em abril”, informa o presidente da Abit, concluindo: “O setor, depois da perda de 130 mil empregos nos últimos dois anos, iniciou 2017 com um saldo positivo de 12.804 postos de trabalho, nos dois primeiros meses. Porém, a reoneração da folha é uma dificuldade a mais para a retomada dos investimentos e da geração de postos de trabalho”.


TAGS: reoneração da folha, crescimento, sinditextil-SP





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